Still

Pensava que era uma questão de controle sobre nós mesmos
Difícil mas atingível, esforço em combustão
Agarrarmo-nos a qualquer coisa que desviasse a atenção
Aprende-se
Insuportável por vezes
Afinal inatingível
Cabeça rodopia, estômago não resiste, cai-se sem dar conta
O limiar entre o estar bem e o estar a caminho do pior é muito leve
Espectadores ignoram
Cai-se e levanta-se
Que direcção seguir quando estamos todos tontos?
Ninguém consegue perseguir o caminho
Desde o início pareceu intransponível
Aqui no rodopio do barulho das rodas
Gira-se na rotunda dos pensamentos
Cá dentro está tudo em combustão
Como explicar aquilo que ainda não se disse
Parece que todos percebem a realidade?
Estamos separados por fios de egocentrismo
Penduramos visões e lavamos emoções
Damos respostas rápidas, voltamos sem saber o que fizemos
Quando a separação entre o que somos e o que queremos ser não existe
Finge-se qualquer coisa
Cai-se no balde e alguém não está lá
Quando o pior acontece, multidões partilham a dor
Como explicar que aquilo que se quer está para lá da mente formatada
Quando nos empacotam e já sabem quem somos
Podemos ser o que somos, aquilo que não somos e aquilo que queremos ser
Podíamos somente ser se mais ninguém existisse
Todos concordam e no final trocam-se por outros
Será possível falar por imagens?
Daquelas que se mexem e atormentam o mais distraído
Eu posso pensar muito e não explicar nada
Mas parece ser fácil explicar tudo e não sentir nada
Andamos trocados, tu e o outro
E se conseguisse explodir o que vai cá dentro?
As imagens passavam sem fim
A pessoa pode pensar nas 1001 hipóteses de responder e ficar imóvel
Os significados escolhem-se
Mas só ela pode dizer o que oculta
Mais ninguém
Repito
Mais ninguém.
Somos demasiado nós mesmos para compreendermos
Quem sabe…


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