Objectivo: Não entrar para o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-IV-TR)

domingo, maio 18, 2008

Fábrica Braço de Prata - noite surreal...





Podia fingir e dizer que já conhecia.
Uma habitué, culta.
Mas não...
Não, não e não.
Realmente não.
Não conhecia, mas agora já conheço.
Uma parte.
A outra, a outra fica para depois.
Qualquer coisa de inexplicável, aquele espaço.
Surreal.
Como a música que nos leva para outras galáxias.
Nos fulmina e nos mostra o mísero ser que somos.
Pior, o pior.
Quando se volta à realidade.
Ao dia-a-dia.
À tamanha insatisfação e artificialidade que a rotina nos leva.
À solidão arrepiante, mesmo na presença de outros.
Esses outros que procuram o mesmo.
A inalcançável e esgotante felicidade.
Essa.
Com isto, com isto me deixo, despeço-me.
Não sou conhecedora, nem perita, nem culta.
Não catalogo, nem memorizo.
Apenas sinto um torbilhão de coisas que me fazem andar.
Agarrar e procurar aquilo que me faz sentir.
Seja isso, o que for...



Amostra sem valor

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

(António Gedeão)