Objectivo: Não entrar para o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-IV-TR)

domingo, março 02, 2008

Manifestação: 1 de Março de 2008


Não há machado que corte

a raíz ao pensamento

Não há morte para o vento

não há morte


Se ao morrer o coração

morresse a luz que lhe é querida

sem razão seria a vida

sem razão


Nada apaga a luz que vive

num amor num pensamento

porque é livre como o vento

porque é livre

(Manuel Freire)

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Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso,

em serenos sobressaltos

como estes pinheiros altos


que em verde e ouro se agitam

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.


Eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho alacre e sedento.

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.


Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel.

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa dos ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é Cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança.,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

para-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra som televisão

desembarque em foguetão

na superfície lunar.


Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida.

Que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre a mãos de uma criança.


Pedra Filosofal (António Gedeão)