Objectivo: Não entrar para o Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-IV-TR)

quinta-feira, janeiro 29, 2009

O meu nariz.




O meu nariz.
Nunca pensei em deixá-lo.
Mas ali estava, no chão.
Sozinho.

Como tantas outras vezes, a lágrima caiu.
Não aguentei vê-lo inerte, outrora enérgico e vigoroso.
À espera da morte.
Tal como eu e tu, um dia.

Apeteceu-me bater as asas e voar ao infinito.
Dizer que estou aqui e mais não sei.
Perguntar o que se passa.
Como isto terminará.

Mas o certo é ficar por aqui, ainda.
Ou ali, mais além.
Por uns tempos.
À procura.

É que eu sei pôr-me no nível de baixo.
Mas sei tão bem elevar-me quando se põe em bicos de pés!
Não me digam que não podem.
Fantoches desgastados!

Esmagam-me e eu esmago-vos.
Só cenários, nada mais.
Mexem-se um pouco mais e tudo cai.
Feitos à pressa!

Olha o nariz! - Diz alguém.
E nesse instante, percebo.
Não sou nada.
Não sou ninguém!

Sinto-me lixo.
Cá dentro.
Não me sinto.
Não estou cá.

Perco-me por aqui e por ali.
Não sei bem.
A razão?
Talvez não me pertença.

Levanto-me do chão.
Ergo-me!
Desato a correr com todas as minhas forças.
Até me perderem de vista…